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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

IMPERCEPTÍVEL poema de Vóny Ferreira


Ainda ontem eras o princípio
Refletido em mim mesma
Sequência do grande ardor
Do lado esquerdo do peito
O único refugio de nós.

Ainda ontem eras o amanha
Me sorrias de frente
com os olhos piscando estrelas
provocando a tremura dócil
da mão direita que escreve
e balança o berço das palavras.

Hoje pouco sei de nós
Que horror,
meu amor
que horror!

Nada consta desses mergulhos cegos
No mar vermelho sem pátria nem sal
Na espuma transparente dos sonhos
Onde os peixes voavam como as gaivotas
Filhos eleitos da mais pura emoção.
Tudo o que fomos e tivemos
Foi em que direção?


Ainda ontem as amendoeiras
Floriam rasantes na nossa pele
Chamando com doçura os beija-flor
Expelindo um néctar inesquecível
No princípio de todas as Primaveras.

Que fim foi esse, amor
Que horror…!

Vóny Ferreira

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