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quarta-feira, 13 de março de 2013

“O PERFUME DO LÍRIO DE PEDRA” texto de: Vóny Ferreira




Sinto que meu coração deixou de bater, que horror...!
Vou caminhando pela praia, sabes? A mesma onde os nossos dois espíritos se mantiveram sempre abraçados como se jurassem em silêncio com essa insistência, que nada nem ninguém as separaria. Que lutaríamos, assim, almas siamesas, contra ventos e marés. Não Há ninguém por aqui neste momento. Tenho frio… faz tanto frio! E eu, que não te vejo!!
Estás aí? - chamo-te em pensamento. A resposta vem do fundo do mar. dada por alguns peixes que bocejando me pedem que os deixe dormir em paz. Não, não vou desistir. Caminho… caminho… caminharei…!
É impressionante ouvir este falso silêncio a ser rasgado pelo rumor repetitivo das ondas que atingem o clímax na areia ainda virgem da praia, esfriando ainda mais os meus pés arroxeados. Sinto-me triste! Perdida. Depois de deixar de te ver dentro de mim, não te vejo em lado nenhum, meu Deus!
A irreverência do vento acaba espalmada no meu rosto pálido pelo frio que ele carrega. O tempo anda estranho. O verão virou inverno. A Primavera morre aos meus pés sempre que piso inadvertidamente mais uma papoila que se ergue imponente por entre as pedras brancas dos passeios. E tu que eras uma verdade dentro do meu peito, passas a ser uma mentira que eu carrego como se fosse um forasteiro que quer caminhar até à exaustão, até descobrir a melhor forma de morrer de pé, como as árvores quando são abandonadas pelos pássaros em busca de outros ninhos…

Vóny Ferreira
M.Ivone B.S.Ferreira 


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