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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

QUANDO O PRETEXTO É O LADO OCULTO DA REALIDADE {Vóny Ferreira]


Nunca me senti verdadeiramente amada, sabes? Porque me transmitis-te sempre a sensação de que estavas com pressa de te ausentares. Porque o fizeste sistematicamente com uma assiduidade desconcertante, ao mínimo pretexto, mais ou menos de uma forma inquisidora. Revertendo as situações numa espécie de culpabilização que se sacode apontando o dedo não a ti mas a mim... que fiquei quase sempre a falar sozinha sem apelo nem agrado.
Diz-me... como que frieza o consegues fazer?
ou nem sequer tens consciência que isso é uma maldade que nem um conhecido merece?
A sensação que me fica nestes momentos é que... estando comigo pareces querer estar noutro lugar.
Como o António Variações uma vez escreveu no seu poema "estou além"...
É uma sensação ruim, de facto!
Terrivelmente castradora e... desconcertante!
O pior de tudo é que já não me deixa surpreendida embora ainda tenha o condão fatídico... de me transmitir aquela mágoa ressentida que nos atormenta como uma cancro corrosivo que mata lentamente. Sensação essa que se avoluma todas as vezes que me fazes sentir "principesca-mente" SECUNDÁRIA..
Pergunto-me:
- Estarei numa fila de espera dentro do teu coração ou nem sequer isso?
Começo a compreender que não há conformidade neste teu estado de alma com o desejo que sempre tive de ter alguém junto de mim por inteiro. Será porque tenho uma perspectiva sobre o amor demasiado romântica ou... apenas e só... sou como a maioria das pessoas que têm necessidade de se sentir amados por completo?
Não se pode ter tudo, sabias?
Eu hoje sei...isso! Mas para que tal acontecesse foi necessário infelizmente que uma hecatombe surgisse na minha vida, virando-a ao contrário! Foi necessário... desgraçadamente... que a vida me abanasse e quando caí na real já tinha perdido tudo, inclusivamente o amor próprio.
Corremos sempre o risco (quando queremos tudo...) de ficarmos sem nada!
Pensa nisso...!
Medita sobre isso!
Pondera relativamente a isso, com a mesma (i)modéstia com que te julgas insubstituível e detentor de um coração que dia após dia se acostuma a desistir de quem nunca apostou verdadeiramente em permanecer dentro dele.
Vóny Ferreira______________________________________
________________________________M.Ivone B.S.Ferreira
Domingo, numa cidade qualquer, no dia 12 de Abril de 2015


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