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domingo, 3 de novembro de 2013

O QUE RESTA DA NOITE (Vóny Ferreira)

O QUE RESTA DA NOITE
(Vóny Ferreira)

Apercebo-me estupefata como é deplorável a desarrumação da minha mente. O que mais me surpreende é ver pedaços de mim a dormitar ainda pelos cantos, como se fossem mendigos que pura e simplesmente desistiram da acreditar na importância da vida.
De olhos cerrados entro nela.
Peço-lhe: - abre-te mente e ajuda-me a entender-te!
É impressionante como de repente parecemos ficar imunes à nossa própria emoção. É como se morrêssemos muitas vezes para renascer e aprender no fundo a recomeçar.
Enquanto vou viajando pelos corredores estreitos onde vivi ausente e perdida, vou simultaneamente acordando com um sorriso triste todos aqueles eus que viveram em sofrimento ante a minha indiferença mórbida. Ou será que foi predestinação?
Não sei ao certo, meu Deus, não sei ao certo o que me aconteceu…
Envolvo pensamentos positivos em fios de seda e deixo o casulo onde guardo o que resta dos meus sonhos, num dos degraus do coração.
Arrumo o abismo que nos separou, no canto mais recôndito do cérebro. Faço-o sem qualquer emoção, espanto-me.
Questiono-me com o silêncio das pedras como foi possível viver tão alienada, e esboço uma careta de desânimo. Mas reajo de imediato, agora que é tempo é de agir com determinação e sem a mais pequena réstia de romantismo.
Sobra-me apenas ainda a vontade de queimar um a um, os poemas escritos a um amor que fora grande demais para ser terrestre. Faço-o apesar de tudo com amor como quem se despede de um filho que sabemos que não iremos ver mais…

O avião da TAP traz-me por entre nuvens de algodão para a minha realidade. Que ironia…
Eu que parti há um ano atrás ao teu encontro acabei por ser recebida pelos escombros da tua existência.
Adeus… adeus… (A) deus Nosso Senhor eu peço que me mostre logo o que resta da noite…
Vóny Ferreira  

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