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sexta-feira, 5 de julho de 2013

NADA... É POR ACASO / Vóny Ferreira /"Beethoven's Silence"



Vi de relance a minha alma pendurada no ferrugento sino da igreja, como se tivesse transformado num pardal de gesso, fazendo o pino e sacudindo a amnésia. 
Em sofrimento lá ia inalando o resto do perfume das flores que o vento vai distribuindo em colapsos laterais com a arrogância de quem se sente impune.
Arrepiei-me com a imagem e tentei recuperar a alma que dá sentido à minha vida. Por isso lhe estendi o braço esquerdo que é o que se transforma em asa para que se libertasse daquela espécie de forca aérea e pública. Mas a minha alma quedou-se num quietismo estranho como se quisesse permanecer ali, longe dos maiores pecados do mundo.
Incrédula, interroguei-a com o meu olhar cheio de luas minguantes:
- O que faço eu sem ti?
Nada me respondeu e nem era preciso…
Só na noite seguinte quando me preparava para afogar o meu destino se aninhou no meu peito, branca como a neve, fria como o ar irrespirável dos Alpes. Entrou no meu corpo em silêncio com a mesma inclemência com que me deixaste no aeroporto, longe de tudo e de casa, sem um palavra de ternura.
Porque será a vida assim tão impiedosa connosco?-pergunto-me.
Sei no entanto que um dia voltarei a lembrar-me, como se desenha um
arco-íris colorido, num horizonte riscado por nuvens tão negras…!!!



Vóny Ferreira 








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