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domingo, 28 de agosto de 2011

Poema de Sandra Fonseca lido por: VÓNY FERREIRA




Durmo
o sono injusto
da espera
e o sonho repetitivo
de um outro dia.
Sei agora o que sou
sem lembrar
quem mesmo era.
um poema me tocou
ao centro da fronte
defronte a alma
E me roubou
noites tantas
fontes
dores que já não doem
ardores que já não desassossegam
em barcos que já não navegam.

O dia se iguala a noite
e tudo equivale a nada
o sol é lua apagada
e sei que já não me lembro
da alma antiga que tenho
correndo por essa estrada.

a madrugada vai alta
a lua de papel de seda
jaz num charco atirada
e eu, pensei num poema
feito de luz e sombra
de sutileza
e rumor.
Prá dizer que nunca sei
se essa voz que canta é minha
se é minha a que pranteia
por fim se sou o que escrevo
ou se escrevo o que sonho.

o que sei, eu sei do sonho
e nem sei nada da vida
se o que sei é o que suponho
eu não sei nada de mim.

um coração histrião,
uma flor despetalada
boiando em rio sem fim.
doida, a alma
na proa da nau sem vela,
a vida é terra
é pura pedra
e eu vejo o mar.

(Sandra Fonseca)

1 comentário:

Só pra você disse...

Que profundo poema, parabéns Sandra por esse momento inspirador e que me faz poeta nesse instante. Lindo te ler!

Beijocas.

Auxiliadora RS